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8 em cada 10 acidentes de trabalho no Brasil envolvem cortes, fraturas e esmagamentos

  • Foto do escritor: TKS Comunicação
    TKS Comunicação
  • há 18 horas
  • 3 min de leitura

Caso real de trabalhadora que se feriu em uma máquina de corte expõe vulnerabilidade na indústria


O Brasil registra, em média, uma lesão relacionada ao trabalho a cada 51 segundos e uma morte a cada três horas, segundo dados do SmartLab, plataforma do Ministério Público do Trabalho em parceria com a OIT. Entre os registros analisados, 88% dos acidentes são considerados acidentes típicos, ou seja, acontecem diretamente dentro do ambiente profissional, durante a execução das tarefas.


As lesões mais frequentes ainda são as fraturas, cortes, contusões e esmagamentos, que correspondem a mais de 80% dos casos registrados no país. As mãos e os dedos permanecem como as partes do corpo mais atingidas, especialmente em atividades manuais e na operação de máquinas, fatores muito presentes na indústria têxtil, metalmecânica, logística e manufatura.

Esses números reforçam um problema que vai além do cumprimento de normas: há falhas na prevenção, na ergonomia e na forma como as operações são planejadas.


Foi o que aconteceu com Juliana Patrícia de Melo, que trabalhava em uma fábrica têxtil quando sofreu um acidente ao operar uma máquina de corte. A mesa não estava na altura adequada para sua estatura, e ela não usava o equipamento de proteção exigido. O resultado foi um corte profundo em um dos dedos, que a afastou do trabalho.


“Eu sempre soube da importância do EPI, mas a rotina, o cansaço e a falta de orientação fazem a gente esquecer que um detalhe pode causar uma grande mudança. A gente nunca acha que vai acontecer com a gente, até acontecer”, afirma a trabalhadora.


O caso evidencia que não se trata apenas de cumprir normas, mas de aplicar práticas que façam sentido na operação real.


Para Clayton Gonçalves, diretor comercial especialista em mobiliário industrial, o erro está na forma como muitas empresas enxergam ergonomia.


“Quando um posto de trabalho está mal organizado, o corpo do trabalhador compensa com esforço. Quando uma mesa está na altura errada, o colaborador se inclina. Quando não há lógica no armazenamento, ele caminha mais do que o necessário. Tudo isso aumenta fadiga e risco de acidente. Ergonomia não é conforto, é eficiência operacional”, afirma.

Gonçalves atua projetando e fabricando mobiliários industriais e estruturando fluxos produtivos com foco prático:


“Quando o ambiente trabalha a favor do corpo, o risco cai e a produtividade sobe”, completa.

Sob a ótica da gestão e da estratégia empresarial, Rodrigo Manoel Maia, executivo de finanças e especialista em governança corporativa, destaca que acidentes de trabalho também representam falhas graves na condução do negócio.


“Quando a empresa não investe em prevenção, ela assume riscos que vão muito além da operação. Há impacto financeiro direto, interrupções produtivas, aumento de custos indiretos e comprometimento da sustentabilidade do negócio no longo prazo”, explica.

Segundo Maia, segurança e ergonomia precisam ser tratadas como parte da estratégia corporativa, não como despesas isoladas.


“O gestor moderno precisa compreender que decisões operacionais afetam resultados financeiros. Um ambiente mal planejado gera afastamentos, queda de produtividade e riscos jurídicos previsíveis. Prevenir é uma escolha racional de gestão”, afirma.

Os dados confirmam essa análise. A maioria dos acidentes no Brasil tem origem em falhas estruturais da operação. Ocorrências envolvendo máquinas e equipamentos representam uma parcela significativa dos casos, especialmente quando há ausência de proteções, sinalização inadequada ou manutenção deficiente.


Também são frequentes acidentes causados por impacto com objetos, ferramentas e quedas em superfícies irregulares ou molhadas — situações comuns no chão de fábrica. Quando o posto de trabalho não é projetado considerando o corpo do trabalhador, altura de bancadas, alcance das mãos, peso das peças e fluxo de deslocamento, o risco deixa de ser eventual e passa a fazer parte da rotina.


Casos como o de Juliana mostram que a causa do acidente raramente está apenas no indivíduo, mas na forma como o ambiente de trabalho é planejado, mantido e gerido. A prevenção vai muito além de cobrar atenção do colaborador. Ela exige visão estratégica, organização de processos, capacitação contínua e ambientes projetados para proteger quem produz.


Como resume Clayton Gonçalves, “o corpo humano não é substituível. A máquina é”.



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